sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eleitor de Brasília é desafiado a tirar a meia do rosto

Para fugir à cassação, o deputado Leonardo ‘Pé-de-meia’ (Im)Prudente (ex-DEM) renunciou aos dez meses que lhe restavam de mandato.

Na véspera, a Comissão de Ética (!?!?!) da Câmara Legislativa do DF abrira processo contra ele e outros dois integrantes da bancada do panetone.

Prudente é aquele deputado que foi pilhado em vídeo levando dinheiro sujo aos bolsos do terno e, à falta de mais espaço, às meias.

Antes de bater em retirada, o deputado expediu cerca de 10 mil cartas aos eleitores. Será que a Câmara pagou os selos?

No texto, Prudente faz cara de injustiçado: "Já admiti publicamente e reafirmo que errei, e estou pagando um preço muito alto”.

Engano. O escândalo sai barato para o deputado. Caro pagaram os pobres de Brasília, privados dos benefícios que o dinheiro desviado poderia proporcionar.

Prudente tenta desconversar: “Tenho certeza que as investigações irão revelar a verdade [...] e que o processo legal e a justiça serão novamente restabelecidos”.

Lorota. Nunca se esteve diante de um escândalo tão fartamente documentado. A Justiça não precisa ser restabelecida. Ela tem de ser feita.

Prudente promete: “Não serei mais candidato a nenhum cargo eletivo em 2010, apenas desejo refutar os fatos inerentes à minha pessoa, colocando-os na forma verdadeira como eles ocorreram”.

Meia verdade. O deputado talvez não seja candidato. Por quê? Talvez lhe faltem votos. Os fatos “inerentes” à sua pessoa, por gritantes, são irrefutáveis.

Na semana que vem, o deputado Júnior ‘Oração da Propina’ Brunelli (PSC) pode imitar Prudente. Cogita renunciar para fugir da degola.

Não se sabe, por ora, se Eurídes ‘Bolsa’ Brito (PMDB), também encaminhada ao patíbulo, baterá em retirada.

Resta confiar no discernimento do eleitor da Capital. O crime, como se sabe, mora na vizinhança. A Justiça, ao contrário, mora longe.

Antes de arrostar condenações judiciais irrecorríveis, qualquer panetone brasiliense pode disputar eleições. Espera-se que encontrem pela frente eleitores sem meias nos olhos.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DEM do DF trocará dirigentes após escândalos de corrupção

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

O diretório regional do DEM (Partido Democratas) no Distrito Federal pediu nesta quarta-feira (24) sua "autodissolução" após as suspeitas de corrupção que envolvem a legenda local. O diretório se antecipou à Executiva Nacional do partido, que ameaçava intervir na entidade, e resolveu desmanchar seu próprio comando.

Ao explicar a decisão, o deputado Osório Adriano Filho (DF) afirmou que foi a solução menos traumática. "O partido é formado por gente honesta, honrada. Foi o que eu sempre fiz nos últimos 15 anos. Eu pedi a dissolução [do diretório], antes que outros pedissem.”

Osório substituiu o vice-governador que renunciou, Paulo Octávio, no comando do diretório regional do Democratas. Octávio havia se licenciado do comando do diretório logo após vir à tona o chamado mensalão do DEM, em dezembro.

A decisão teve apoio de todos os 19 integrantes do diretório regional. "Serão buscados nomes que estejam fora de qualquer suspeita", afirmou Osório.

O DEM possui cerca de 30 mil filiados no Distrito Federal, segundo Osório, que não soube informar quantos destes participam do governo.

O novo coordenador regional do DEM será o senador Marco Maciel (PE), que encaminhará para a Executiva Nacional do partido os nomes para a formação de um novo diretório.

Em relação ao prazo para a composição dessa nova diretoria no DF, Maciel deixou claro que não tem pressa para encerrar este processo. "Estamos num processo de reorganização. É uma tarefa que exige algum tempo. É um processo que começa agora e não se sabe quando termina", desconversou.

A resolução anterior da legenda de que todos os filiados do DEM que participam do governo do DF deveriam sair do partido ou de seus cargos foi mantida. "Precisamos formar novos quadros. Todos os filiados [que participam da administração do DF] que têm pretensão eleitoral sairão do governo, ou se quiserem ficar, saem do partido", reforçou o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

Maia apontou que o próximo passo no Distrito Federal é a reformulação da chapa e que o partido não tem condições no momento de definir ou indicar um nome para a candidatura ao governo do DF em 2010.

Polêmicas

Apesar do tom crítico, o Secretário dos Transportes do DF, Alberto Fraga (licenciado do mandato de deputado federal) acatou a decisão do partido e deixará o cargo. Ele pediu pelo menos uma semana para deixar os trabalhos da pasta encaminhados. “Essa dissolução durará no máximo 30 a 40 dias, tempo no qual terá que ser composto um novo diretório regional. É muito melhor uma coisa nesse
sentido que uma intervenção da forma como era a idéia inicial. Salva-se quem verdadeiramente não tem nenhum envolvimento com os escândalos e há condições da gente reconstruir esse novo diretório regional”, avalia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Câmara do DF lê carta-renúncia, e Paulo Octávio deixa governo; aliado de Arruda assume


Do UOL Notícias*
Em Brasília



Logo após desfiliar-se do Democratas para não ser expulso do partido, o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio Alves Pereira, renunciou ao cargo nesta terça-feira (23). Paulo Octávio cogitou renunciar na última quinta-feira, mas recuou para tentar, sem sucesso, apoio dos deputados distritais e do DEM para governar. Ao todo, ficou apenas 12 dias no cargo.


A íntegra da carta-renúncia foi lida pelo vice-presidente da Câmara Legislativa do DF, Cabo Patrício (PT). A carta já estava redigida pelo menos desde a semana passada.

"Dediquei-me, nos últimos dias, a realizar consultas junto a líderes partidários dos mais variados matizes. Busquei a interlocução com figuras representativas da sociedade. As negociações apenas tornaram mais claras para mim as dificuldades de garantir, neste momento, a tão necessária governabilidade para o Distrito Federal", disse em carta Paulo Octávio.

"Permanecer no cargo, nas circunstâncias que chamei de excepcionais, exigiria a criação de condições também excepcionais", continuou o ex-governador, que citou ainda a falta de respaldo do próprio partido.

O vice-governador Paulo Octávio havia assumido a cadeira do titular José Roberto Arruda (sem partido) quando este foi preso no último dia 11 de fevereiro, acusado de participação de tentativa de suborno de uma testemunha do chamado mensalão do DEM, o esquema de enriquecimento ilícito e pagamento de propina a políticos por empresas de informática que tinham contratos no governo do DF, de acordo com investigação da Polícia Federal.

Assume o cargo máximo do Executivo do DF o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), próximo de Arruda.

Lima nasceu em 1953, em Ceres (GO). O distrital está no terceiro mandato e, em 2006, foi reeleito com 8.983 votos. Desde os 15 anos, mora na cidade de Gama.

O deputado foi seminarista na década de 1960 e estudou música na UnB (Universidade de Brasília). O distrital costuma contar que trabalha desde a adolescência e já vendeu picolés, foi frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus.

O deputado foi eleito pela primeira vez em 1998 pelo PSD. No governo Joaquim Roriz (PSC), Lima ocupou a subsecretaria de Alimentação e Promoção Social da Secretaria de Solidariedade em 2002. Além do PSD e PR, o distrital já foi filiado ao PTB, PMDB e Prona.

No último dia 2 de fevereiro, Lima foi eleito presidente da Câmara Distrital após a saída de Leonardo Prudente (sem partido), acusado de envolvimento no mensalão do DEM. O deputado ocupava a Primeira Secretaria.

Octávio deve deixar política
Paulo Octávio é citado nas investigações e nega envolvimento no esquema d~e propinas. Após a prisão de Arruda, o DEM pediu que todos os filiados deixassem o governo do DF. Sem apoio de antigos aliados e do próprio partido, Octávio optou pela desfiliação seguida pela renúncia. Ele é alvo de quatro de pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Paulo Octávio deve deixar a política para se dedicar apenas às empresas dele, muitas delas com contratos com o governo. "Saio da cena político e me incorporo às fileiras da cidadania", escreveu na carta-renúncia.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada na semana passada mostra que o governo do DF pagou ao menos R$ 10,4 milhões para empresas do empresário veicularem publicidade oficial. O valor se refere aos últimos três anos, quando ele já era vice de Arruda. Octávio disse, por meio de seu advogado, que deixou o comando de todas as suas empresas quando foi eleito vice-governador na chapa de Arruda, em 2006.

Eleito em 2006 na chapa dos Democratas, Paulo Octávio Alves Pereira também presidia, desde 2008, a Regional do DEM-DF, cargo do qual se licenciou quando assumiu o governo.

Ao tomar posse como vice, Octávio também deixou o mandato de senador, cujo cargo ficou para o primeiro-suplente, Adelmir Santana (DEM-DF). Octávio foi eleito por duas vezes deputado federal, em 1990 e 1998, e eleito senador pelo Distrito Federal em 2002.

Como empresário, ele é dono de um dos maiores grupos de construção civil do Centro-oeste que leva seu nome, fundado em 1975. Segundo os números oficiais da empresa, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários contabiliza 38 mil imóveis entregues e tem 400 mil clientes no Distrito Federal com seus 2,7 milhões de m² de obras construídas.

O mineiro de Lavras é casado com Anna Christina Kubitschek Barbará A. Pereira, neta do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, com quem tem dois filhos.

Prisão de Arruda
A prisão de Arruda foi decidida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e referendada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello na semana passada.O STF ainda vai analisar o mérito do habeas corpus impetrado pela defesa de Arruda, prolongando a permanência dele na prisão.


*Com informações da Folha Online


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Paulo Octávio deve se desfiliar do DEM nesta segunda

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), deve anunciar nesta segunda-feira (22) sua desfiliação do DEM. A saída seria uma forma de evitar a expulsão do partido. A executiva da legenda se reúne no começo dessa semana, e a tese da expulsão ganhou força depois que Paulo Octávio decidiu permanecer no comando do governo.

Paulo Octávio afirmou na sexta (19) que permanece no governo pelo menos até o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir sobre a intervenção no Distrito Federal, informou o secretário André Duda (Comunicação).

A promessa foi feita em reunião com os 17 secretários do governo. Octávio também pediu união contra a ameaça de intervenção federal defendida pela Procuradoria Geral da República.

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), continua preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A PGR (Procuradoria Geral da República) encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) parecer defendendo a manutenção da prisão preventiva.

O Supremo deve analisar o mérito do pedido de liberdade de Arruda esta semana. Já o pedido de intervenção federal ainda não tem data para ser julgado pela Corte.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ministério Público protocola denúncia contra Arruda por falsidade ideológica

Edemilson Paraná
Do UOL Notícias
Em Brasília

O Ministério Publico Federal protocolou no fim da tarde desta sexta-feira (19) mais uma denúncia contra o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), desta vez, por falsidade ideológica. A informação foi divulgada hoje (20) pela assessoria de imprensa da Procuradoria Geral da República (PGR).

De acordo com a denúncia, Arruda forjou quatro recibos para justificar o recebimento de propina de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo, que em vídeo aparece entregando o dinheiro pessoalmente ao governador. Segundo Arruda, a quantia teria servido para a compra de panetones. Juntos, os recibos somam a quantia de R$ 50 mil.

Um laudo pericial da Polícia Federal comprovou que os recibos foram produzidos, impressos e assinados na residência oficial do governador, em Águas Claras e rubricados por Durval Barbosa no dia 28 de Outubro, quase um mês antes da divulgação dos vídeos, no fim de novembro. As impressoras foram apreendidas na residência oficial do governador no dia 11 de fevereiro, data de sua prisão.

A denuncia foi protocolada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel e pela subprocuradora Raquel Dodge e aguarda manifestação do relator Ministro Fernando Gonçalves, o mesmo que decretou a prisão preventiva de Arruda na última quinta-feira (11). Na denúncia, a PGR pediu urgência na análise do processo.

De acordo com Lidiane Mattos, secretária de comunicação da Procuradoria Geral da República (PGR), a produção dos recibos, antes da divulgação do inquérito, torna plausível a tese de que Arruda sabia do andamento do processo antes mesmo das acusações virem à tona. “Isso reforça nosso argumento de que ele deve permanecer preso para que não interfira nas investigações”, disse Lidiane.

Esta é a segunda denúncia protocolada contra Arruda desde a sua prisão. A ação apresentada ontem volta a questionar dispositivo da Lei Orgânica do Distrito Federal que diz que apenas a Câmara Distrital do Distrito Federal pode apresentar denúncia penal contra o governador. Para a PGR, o dispositivo é inconstitucional.

A denúncia complica a situação de José Roberto Arruda, preso desde o dia 11. Um dia após a sua prisão, o Supremo Tribunal Federal (STF), negou o habbeas Corpus em favor do governador. O relator do processo, ministro Marco Aurélio se manifestou pela manutenção da prisão preventiva de Arruda para evitar que, o então governador, interferisse no andamento das investigações. A manutenção da prisão deve ser votada no plenário do STF na próxima semana.


UOL Celular

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Lula recebe governador interino do DF; Paulo Octávio deve anunciar hoje renúncia

GABRIELA GUERREIRO

da Folha Online, em Brasília

Sem conseguir agendar oficialmente um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), apareceu na manhã desta quinta-feira no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória da Presidência, e foi recebido por Lula.

Segundo interlocutores, Paulo Octávio estaria disposto a comunicar sua renúncia ao presidente Lula. A saída estaria condicionada ao desenrolar da conversa sobre o pedido de intervenção federal no DF, defendido pelo Ministério Público Federal.

O motivo da renúncia seria a falta de apoio que garantisse a governabilidade. Paulo Octávio não conseguiu respaldo nem do próprio partido, que o ameaça de expulsão.

O democrata já deixou o CCBB, sem falar com a imprensa, e seguiu para o Palácio do Buriti, sede do governo do DF, onde deve conceder uma entrevista coletiva. Paulo Octávio já estaria, inclusive, com a carta de renúncia pronta.

Ele assumiu o governo na semana passada quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou o afastamento e a prisão do titular do cargo, José Roberto Arruda (sem partido).

Na semana que vem, o DEM deve se reunir para analisar o pedido de expulsão, a ser feito pelo senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado Ronaldo Caiado (GO), contra o governador interino.

O presidente resistia em receber o governador interino por conta da instabilidade política no DF. Não queria partidarizar o caso e, ao mesmo tempo, pretendia aguardar os próximos passos da Justiça.

A intenção de integrantes do DEM, por enquanto, é levar adiante os trâmites formais de um processo de expulsão e aguardar para ver se surge algo de novo contra o governador interino. Além disso, o DEM também já dá como liquidada a chance de ter um candidato ao governo na eleição. O próprio Paulo Octávio já disse que não pretende se candidatar.


Arte/Folha

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Advogado diz que Arruda está preocupado com novas denúncias de corrupção

Carolina Pimentel
Da Agência Brasil
Em Brasília

O governador licenciado do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido) recebeu na tarde de hoje (15) a visita de um dos seus advogados, Tiago Bouza, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso há cinco dias.

Após a visita, o advogado afirmou que o governador tem demonstrado preocupação com as novas denúncias de envolvimento dele em atos de corrupção.

A mais nova denúncia é de que Arruda teria usado a Polícia Civil para espionar o Ministério Público do Distrito Federal, onde teve início a investigação sobre o suposto esquema de corrupção em seu governo. “Ele começa a demonstrar preocupação com os novos fatos”, disse Bouza aos jornalistas que fazem plantão em frente ao prédio da PF.

O advogado afirmou que, na conversa com o governador, tratou da estratégia de defesa de Arruda, que deve ser articulada pelos advogados a partir de quarta-feira (17). Além disso, Bouza queria certificar-se de que os direitos do governador estão sendo respeitados na prisão. Segundo ele, Arruda não apresentou nenhuma reclamação a respeito do tratamento na PF.

Bouza relatou ainda que Arruda tem conseguido descansar e que sua aparência tem melhorado. “Ele está melhor a cada dia”, disse.